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Top 5 Países que São Referência em Energia Renovável

Pesquisando energia renovável para os artigos do agora88, fui inevitavelmente comparando o Brasil com outros países. Temos sol de sobra, vento excelente no Nordeste, hidrelétricas por todo o país — e ainda assim dependemos de termelétricas a carvão e gás quando a seca aperta. Por quê?

Olhei para cinco países que resolveram esse problema de formas diferentes. Cada um tem uma lição específica — e algumas delas se aplicam diretamente ao contexto brasileiro.

1. Islândia — quando a geologia é a matriz energética

A Islândia gera praticamente 100% da sua eletricidade de fontes renováveis. Mas o mais impressionante não é o número — é como chegou lá. O país tem vulcões ativos, géiseres e uma atividade geotérmica intensa. Em vez de tratar isso como problema geológico, transformou em recurso.

Cerca de 73% da eletricidade vem de hidroelétricas e 27% de energia geotérmica. Mas a geotermia vai além da eletricidade: aquece casas, piscinas e até estufas agrícolas no inverno. A Islândia não apenas gera energia limpa — ela usa o calor da Terra para viver.

A lição para o Brasil: temos o equivalente geotérmico em outro recurso — o sol. A irradiação solar brasileira é uma das maiores do mundo. Ainda estamos longe de explorar esse potencial plenamente.

2. Dinamarca — como um país pequeno virou referência mundial em eólica

A Dinamarca começou a investir em energia eólica nos anos 1970 — depois do choque do petróleo. Enquanto outros países procuravam novas fontes de petróleo, os dinamarqueses decidiram sair da dependência de combustível fóssil de vez.

Hoje o país gera mais de 50% da sua eletricidade com eólica — e em dias de muito vento, gera mais do que consome, exportando o excedente para Suécia, Noruega e Alemanha. A empresa Vestas, dinamarquesa, é uma das maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo.

O que me chamou atenção: a Dinamarca não tem recursos naturais extraordinários. O vento lá é bom, mas não excepcional. O que fez a diferença foi decisão política de longo prazo e consistência nos investimentos por décadas. Isso é replicável em qualquer país — inclusive o Brasil.

3. Noruega — o paradoxo do maior produtor de petróleo que é quase 100% renovável

A Noruega é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. E ao mesmo tempo gera mais de 95% da sua eletricidade de fontes renováveis — principalmente hidroelétricas. Isso não é contradição — é estratégia.

O país criou o maior fundo soberano do mundo com os lucros do petróleo e usou parte desse dinheiro para investir em infraestrutura renovável, veículos elétricos e tecnologia limpa. Hoje a Noruega tem a maior frota de carros elétricos per capita do mundo — mais de 25% de todos os carros em circulação são elétricos.

A lição mais incômoda: o Brasil também tem petróleo — e pré-sal. Poderíamos fazer algo parecido com os royalties. Até agora, não fizemos.

4. Alemanha — a transição energética mais ambiciosa do mundo industrial

A Alemanha chamou esse processo de Energiewende — transição energética. Em 2000, cerca de 6% da eletricidade alemã vinha de renováveis. Em 2023, esse número passou de 50%. Em um dos países mais industrializados do mundo, com enorme demanda energética.

O que me impressionou pesquisando o caso alemão foi o papel das cooperativas. Cidadãos comuns se organizaram, investiram em parques solares e eólicos e se tornaram co-proprietários da geração de energia. Não foi só governo e grandes empresas — foi participação popular real no processo.

O custo foi alto e o processo teve tropeços — especialmente após o fechamento das usinas nucleares. Mas a direção nunca mudou. Consistência ao longo de décadas é o que separa intenção de resultado.

5. Costa Rica — o país pequeno com a lição maior

A Costa Rica tem 5 milhões de habitantes e gera cerca de 99% da sua eletricidade de fontes renováveis — hidroelétricas, geotérmicas, eólicas e solares. Por anos consecutivos, o país operou com 100% de energia limpa por meses inteiros.

Mas o que mais me marcou foi a integração entre energia e conservação ambiental. O país preserva mais de 25% do seu território como área protegida. Isso não é coincidência — é política integrada. Florestas conservadas mantêm rios cheios, que abastecem as hidroelétricas. Sustentabilidade gerando sustentabilidade.

O que o Brasil pode aprender com tudo isso

Analisando esses cinco casos, percebo que o Brasil tem os recursos que cada um desses países usou — e muitas vezes em maior quantidade. Sol como a Islândia tem geotermia. Vento como a Dinamarca. Petróleo como a Noruega. Indústria como a Alemanha. Florestas e água como a Costa Rica.

O que nos falta não é recurso natural. É consistência de política energética ao longo do tempo, independente de qual governo está no poder. Esse é o denominador comum dos cinco países desta lista — e é exatamente o que ainda precisamos construir.

— Eduardo, agora88

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